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Disbiose do Cão idoso

Entenda como ocorre a disbiose intestinal em cães idosos e qual conduta clínica seguir.

Publicado em 08 de outubro, 2026

O que é e como eu trato?

O envelhecimento é um processo biológico caracterizado pela redução progressiva da capacidade adaptativa e pelo aumento da susceptibilidade a doenças crônicas e às disfunções dos tecidos. O envelhecimento promoverá alterações fisiológicas sistêmicas que afetarão diretamente a homeostase gastrointestinal e a composição deste microbioma, que desempenha papel central na manutenção da saúde metabólica, endócrina, imunológica e digestiva e considerado um modulador do envelhecimento. Alterações qualitativas e quantitativas dessa comunidade microbiana, fúngica e viral serão caracterizadas como disbiose intestinal, condição frequentemente observada em cães idosos e associada a diversas enfermidades.

No cão idoso observam-se as reduções de microrganismos produtores de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), especialmente butirato, e aumento de bactérias potencialmente pró-inflamatórias.

A inflamação crônica compromete a integridade da barreira intestinal, favorece o aumento da permeabilidade da mucosa e estimula respostas sistêmicas deletérias. Cães geriátricos podem apresentar alterações significativas na saúde intestinal e exibir capacidade diminuída na receptação de nutrientes. Nesse contexto, destaca-se o inflammaging (estado de inflamação crônica, sistêmica e de baixa intensidade associado ao envelhecimento) onde podemos observar o aumento da produção de citocinas inflamatórias e fator de necrose tumoral alfa (TNF-α). Alguns estudos apontam ainda o aumento da proteína C-reativa, marcador inflamatório disponível no Brasil. 

O inflammaging também se relaciona com a redução da eficiência digestiva, comprometimento da barreira mucosa, maior predisposição a crises dentro das enteropatias crônicas e agravamento das doenças sistêmicas. 

Estratégias nutricionais assumirão papel fundamental no manejo destes pacientes, de forma que as dietas formuladas para animais idosos devem priorizar elevada digestibilidade, adequada densidade proteica e energética, assim como a inclusão de ingredientes funcionais capazes de modular positivamente os cães geriátricos.  

Os ômegas 3,  EPA (ácido eicosapentaenoico) e  DHA (ácido docosahexaenoico), são ácidos graxos poli-insaturados de cadeia longa já bem estabelecidos na nutrição de cães. Apresentam funções como redução da inflamação crônica (inflammaging), auxílio no controle de osteoartrite, redução do estresse oxidativo sistêmico, melhora da saúde cardiovascular, melhora da saúde renal e preservação da função cognitiva. A sua função no trato intestinal é propor  o aumento da proporção entre bactérias benéficas e patogênicas, melhorará a integridade da barreira intestinal, reduzirá a permeabilidade intestinal (“leaky gut”) e diminuirá a produção de citocinas pró-inflamatórias, mesmo que de formas indiretas. Sendo assim é o suplemento mais incorporado às dietas caninas. Tais dietas ainda podem mostrar-se mais produtivas com a adição de fibras e prebióticos, como fruto–oligossacarídeos (FOS) e mananoligossacarídeos (MOS), também estimularão o crescimento destas “boas” bactérias. 

A suplementação com probióticos representa outra ferramenta valorosa. Microrganismos dos gêneros Lactobacillus, Bifidobacterium e Enterococcus, dentre outros, possuem capacidade de modular a resposta imunológica, restaurar o equilíbrio microbiano e fortalecer a barreira intestinal. Doravante, simbióticos (combinação de prebióticos e probióticos) potencializarão estes efeitos. Um ponto a ser elevado é a adição dos pós-bióticos às dietas. Esses compostos correspondem a metabólitos produzidos por microrganismos sem a necessidade de sua adição. Apontam-se os AGCC, peptídeos bioativos e componentes da parede celular bacteriana como estratégias interessantes. Desta forma, representam uma alternativa promissora para cães geriátricos fragilizados ou imunocomprometidos. 

O envelhecimento canino está associado a alterações do microbioma intestinal, disbiose, inflammaging e comprometimento da saúde gastrointestinal. Nutrição de precisão, associada a um bom manejo clínico, constituem abordagens muito interessantes para se trabalhar com medicina preventiva e curativa para promover longevidade com qualidade de vida. 

 

Referências Bibliográficas

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